Músicas perdidas, vozes desafinadas, sons que voam. E já não mais os vejo. Mergulho bem no fundo, atiro a corda, mas a rede só traz palavras mudas. Oiço um tic-tac. Outro. E mais outro. É o relógio da vida. O que move montanhas, multidões. E tem nome: CORAÇÃO. Alguns são de carne, outros de pedra, outros não são de nada. Este é de morango. Vai e vem, como as estações do ano. Mesmo mudando o cheiro, a fruta é a mesma. Aliás, nunca ninguém conheceu outro. Não houve mais nenhum. E este tem dono, agora. És tu: cabelos grisalhos, gastos pelo vento, pelo cloreto de sódio. Olhos esguios, cor de avelã. São bonitos. São teus. São meus. Somos um só. Olhas-me e eu choro. Sei que nesse teu silêncio, sussurras palavras de todas as línguas, todas as cores, muitos feitios. É então que te abraço. E da minha boca saem pedaços de céu que eu nunca possuí, mas que eu te posso dar. Que são teus, para o resto da eternidade. Podes guardar junto ao peito ou simplesmente deitá-los fora. O tempo é nosso, como a Lua é da Terra e a Eva do Adão. Pode não ser hoje nem amanhã. Um dia. Hoje, Amo-te. Aliás, como sempre.
Gosto muito de ti Querida <3